Entrevista Tom Garcia – Os Que Esperam a Hora de Morrer

Entrevista Tom Garcia – Os Que Esperam a Hora de Morrer

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Estreia hoje, às 22:30, a nova temporada do espetáculo “Os Que Esperam a Hora de Morrer”, e, é sobre essa história instigante, que converso com o ator Tom Garcia na entrevista de hoje.

A humanidade quase já não existe mais, os que ficaram, se viram como pode! O caos foi instalado e em meio a tudo isso acontece o enredo desta história, que irá te prender do começo ao fim. Já assisti e recomendo!

“O espetáculo é um alerta para acordarmos perante as escolhas que temos feito e como isso tem afetado negativamente o planeta, a humanidade, os afetos.” Tom Garcia

50 anos após a pandemia global por conta do COVID-19, a raça humana entrou em extinção com a mutação do novo vírus, o COVID-22. Bombas nucleares e a terceira guerra mundial levaram a humanidade à extinção. Um homem cansado de lutar contra o vírus decide registrar seus últimos dias por uma câmera de celular, mas seus planos mudam quando uma jovem aparece podendo conter a cura para salvar a humanidade.

Preparados? Vamos a entrevista!

Foto: Tom Garcia “O Homem”

Eunoteatro – Tom, você é vencedor do “5º Festival de Cenas Curtas” na categoria “Melhor Ator”. Qual é a importância desse prêmio para você?

Tom Garcia – Nesse momento tão obscuro e triste que estamos vivendo é uma honra e acalento para a alma receber essa premiação. A arte resiste ainda mais forte e precisa ser valorizada e reconhecida. Muitos artistas que não tinham espaço em grupos teatrais para explorarem seus talentos, tiveram a oportunidade de se realizarem e apresentar trabalhos incríveis através das telas. Meu desejo é que as portas se abrem para todos que se encorajaram.

Agradeço imensamente ao meu diretor Jonatan Cabret por acreditar em mim, por ter um olhar preciso na direção e por esse texto que me transforma diariamente num ser humano melhor. Meu agradecimento a minha parceira de cena, a atriz e bailarina Monique Almeida por todo acolhimento, trocas e positividade. Gratidão imensa ao “5° Festival de cenas curtas” da cidade de Araçatuba, que teve um jurado de peso e importância, pela oportunidade de reunir grandes trabalhos de artistas gigantes.

Eunoteatro – Devido a pandemia, acredito que tenham feito tudo de forma online. Quais foram os maiores desafios enfrentados?

Tom Garcia – Sim, todos os nossos trabalhos são feitos de forma remota desde o início da pandemia, respeitando todas as orientações da OMS. Tanto os ensaios, quanto as temporadas são realizados pela plataforma Zoom.

Diria que os desafios são instigantes, pois nesses processos somos responsáveis pela criação de cenários, figurinos, adereços, operamos a luz, som, vídeos, somos contra- regras., dependemos do sinal de internet e então precisamos estar atentos e aptos ao improviso para não deixar a peteca cair.

Acredito que quando voltarmos ao presencial, o trabalho de grupo será mais colaborativo e com menos egos. Assim espero, rs.

Foto: Monique Almeida “Gaby”

Eunoteatro – No espetáculo o seu personagem denominado, “Homem”, contracena com a doce figura de, “Gaby”, interpretada por Monique Almeida. Como tem sido esta parceria entre vocês e como se conheceram?

Tom Garcia – A parceria com a Monique é fantástica desde o primeiro encontro que foi pelo Zoom. Ela entrou uns 20 dias antes da nossa estreia para substituir a outra atriz que acabou desistindo do espetáculo. Na primeira leitura que fizemos eu já visualizei a Gaby, a Monique é porreta e de uma personalidade forte e marcante. Ela conseguiu captar o texto e a proposta, e trazer a voz, o olhar, o corpo da menina Gaby que nasceu no período da pandemia e não conhece outra realidade.

Ainda não nos conhecemos pessoalmente, mas o Jonatan nosso diretor conhece ambos. Ainda espero trabalhar muito com os dois presencialmente. Quem sabe “Os que esperam a hora de morrer” não vire um média ou longa metragem… Sonhar é preciso!

Foto: Cenário

Eunoteatro – Quem foi o responsável pela ambientação, cenário, objetos de cena e figurino, particularidades tão instigantes de “Os Que Esperam a Hora de Morrer”?

Tom Garcia – Cada um foi responsável pela idealização do cenário, objetos de cena, figurino, iluminação… Tudo de acordo com o que já tínhamos em casa, mas o Cabret ia nos orientando em cada detalhe.

Fizemos tudo na raça, sem patrocínio ou apoios e mesmo assim conseguimos executar um visual instigante para o espetáculo. Recebemos muitos elogios e perguntas do público e da crítica sobre essa estética.

Eunoteatro – A peça, entre outras coisas, faz uma crítica social ao governo e a tudo que se vive em um período de crise sanitária. Trata-se de fatos fictícios ou vocês trazem críticas baseadas em nossa situação atual?

Tom Garcia – Existe uma mistura entre realidade e ficção, mas a ficção em “Os que esperam a hora de morrer” parece estar bem próxima senão mudarmos nossos conceitos, nossa ganância pelo poder e pelo dinheiro. Os fatos que relatamos na temporada no fim de 2020 foi um reflexo para tudo que aconteceu a partir de janeiro de 2021. A falta de oxigênio em Manaus, o negacionismo das vacinas que salvam vidas, as novas variantes do vírus, o aumento exacerbado do número de mortes, o tratamento precoce sem comprovação científica, as fake News.

Em nosso segundo ensaio em setembro do ano passado eu perdi um dos meus tios que ficou dois meses entubado, vítima do Covid 19. A partir daí o espetáculo toma ainda mais forma, pois eu trouxe a minha dor, minha revolta, minha indignação e minha homenagem para a composição dessa obra… E não contenho minhas lágrimas enquanto escrevo!

Em janeiro desse ano vivi um pesadelo, minha mãe foi contaminada pelo vírus e precisou ser internada. Na entrada do hospital me despedi dela com um abraço apertado e com um choro escandaloso, sofrido e cheio de som e fúria, achei que não veria mais ela. Mas com toda força, fé, esperança e calmaria que ela teve, em poucos dias voltou para casa, mas segue se recuperando.

No início de fevereiro deste ano minha mãe perdeu mais um irmão, o mais velho, também vítima do Covid 19, e nem pudemos nos despedirmos.

O espetáculo é um alerta para acordarmos perante as escolhas que temos feito e como isso tem afetado negativamente o planeta, a humanidade, os afetos.

Eunoteatro – A peça retrata alguns fatores de risco trazidos pelo ambiente virtual, qual é a reação mais comum vinda do público, após o término do espetáculo?

Tom Garcia – Não vou dar spoiler, rs… Mas o público sempre fica em choque e espantado com o desfecho do espetáculo. Pois cria-se uma expectativa diferente entre a relação do “Homem” e “Gaby”. Mas o que de fato acontece o expectador geralmente nunca espera. Pois há um jogo de sedução, conquista…

Enfim… assistam e identifiquem nesses personagens, os protagonistas da vida real.

Eunoteatro – Tom, agradecemos imensamente por esta entrevista, foi um prazer tê-lo aqui no @eunoteatro. Quero reforçar o convite para que nossos leitores assistam ao espetáculo, pois é realmente incrível e com um final arrebatador!

Foto: Tom Garcia “O Homem”

Serviço:

Os Que Esperam a Hora de Morrer

-Todas as sextas de maio das 22h30-23h30

Para ingressos, acesse:

https://www.sympla.com.br/os-que-esperam-a-hora-de-morrer__1183030OS QUE ESPERAM A HORA DE MORRER – Sympla

Ficha Técnica:

Roteiro e Direção: Jonatan Cabret

Elenco: Monique Almeida e Tom Garcia

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Jucimara Camata
Jucimara Camata
1 mês atrás

Parabéns Tom Garcia! Trabalho incrível! Foi surpreende! Cenário e atuação sensacional! Gostei mto e já indiquei. Obrigada a eunoteatro pela entrevista e indicação desta peça. Valeu!🙏👏