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Eunoteatro – Analu, sabendo que esta será sua primeira experiência com teatro online, quais as suas expectativas?
Analu Prestes – Estamos fazendo um cine teatro e foi justamente essa proposta que me interessou. Nesse momento estamos descobrindo essa nova maneira de expressão e comunicação. Uma nova plataforma de atuação que veio pra ficar. Adoro desafios e esse será certamente um deles. E quando é ao vivo, temos aquela sensação de ter uma plateia nos assistindo mesmo que não fisicamente.
Eunoteatro – O que faz “Lá Fora, Temporal” ser tão parecida com os tempos que estamos vivendo?
Analu Prestes – É um texto que nos coloca num mundo que está desabando. Que fala sobre a acumulação, sobreposição de coisas, tempo e vivência, realidade e ficção. Tempos sombrios. Personagens que habitam um submundo recheado de memórias, buracos negros, violência, vingança.
Eunoteatro – Não existindo plateia fisicamente no teatro, acha que existe alguma semelhança com trabalho para o cinema ou TV?
Analu Prestes – Acho que existe sim uma conversa entre eles, pois estamos falando de áudio visual. Mas cada um tem suas peculiaridades que os diferem entre si. Novos tempos, novas linguagens.

Eunoteatro – Qual o tipo de sentimento que o texto de Marcelo Aquino despertou em você, como foi organizar essas sensações no decorrer do texto e o que te ajudou na construção da personagem?
Analu Prestes – Essa mulher que eu faço ,sofreu um abuso. Isso já me motivou a querer falar sobre essa situação em que nós mulheres somos vitimadas a cada hora nesse país.
Essa nossa ancestral incapacidade de compreender a existência. Seus sentidos e designíos. O quanto uma vida pode ser perdida se alimentada de vingança e ódio. Falar de amor obsessivo, de redenção. Questões que convivemos diariamente. E tudo isso de uma forma que mistura o que é real e o que é ficção. Desses animais que nos habitam e podem nos levar a caminhos sombrios, tenebrosos. Um texto que namora com o teatro do absurdo.
Eunoteatro – Como tem sido a experiência de contracenar com Ary Coslov?
Analu Prestes – Bom ,somos amigos já faz muitos anos! Conheci o Ary em 1974, quando atuamos juntos em “Titus Andronicus” com direção do Luis Antonio Martines Correa .
Depois ele me dirigiu em Pedra, a Tragédia, um clássico do besteirol em 1987 no Teatro Candido Mendes.
Agora estamos juntos novamente depois de tanto tempo em cena, contracenando outra vez! Muito bom estar entre amigos !!
Eunoteatro – Existiu alguma diferença na direção feita por Cássia Vilasbôas, diretora do espetáculo, por se tratar de uma peça online?
Analu Prestes – Sim. Primeiro tivemos de fazer com que o texto tivesse uma hora de live. Depois ela de cara veio com essa proposta de um cine teatro. Então contracenamos via câmeras. Estabelecemos dois espaços distintos para cada personagem e não nos olhamos. Falamos um para o outro através das câmeras que nos seguem. Uma atuação em paralelas. Um contato também direto com o espectador que nos vê em closes.

Eunoteatro – Quando tudo estiver normalizado, vocês pretendem continuar com o espetáculo da forma tradicional?
Analu Prestes – Ainda não falamos sobre isso. Vamos ver como tudo vai acontecer daqui pra frente. Estamos vivendo tempos difíceis e vamos ver como será esse retorno aos palcos e como teremos condições financeiras para levantar um trabalho. Porque agora estamos numa corrente solidária e fazendo com um mínimo mesmo sem ninguém receber nada. Mas que é necessário nesse momento não calarmos!!
Eunoteatro – Analu, agradecemos a sua disponibilidade em nos tirar um pouco da curiosidade sobre a peça e também por falar um pouco sobre esse mundo novo que é o “teatro virtual”. Muito sucesso, hoje e sempre!

Instagram: @prestesanalu
SINOPSE
Um exercício dramatúrgico sobre a dimensão temporal e seus efeitos. Sobre nossa ancestral incapacidade de compreender a existência, seus sentidos e desígnios. Um olhar dilatado sobre a acumulação, sobreposição de coisas, tempo e vivência. Oscar, nosso personagem principal, está inexoravelmente preso ao universo particular que construiu com as sobras de um mundo em decomposição. Um homem em guerra com sigo mesmo, habitando pausas e intervalos de um tempo que não cessa. Uma inusitada visita na noite, um emblemático encontro sobrepondo realidade e ficção, passado e presente em um jogo de revelações que mostra o quanto podemos ser constantemente traídos pela própria memória. Este é o tema central de um texto que revela personagens de um universo Beckettiano, condenados pela própria existência em uma atmosfera onírica que funde sonho, delírio e realidade, armando uma teia de relações, atravessamentos e afetos.
SERVIÇO:
04 NOV A 25 NOV
Quartas| 17h
PREÇOS: InteiraR$ 10,00 – MeiaR$ 10,00
INGRESSOS:
https://www.teatropetragold.com.br/programacao/espetaculo/la-fora-temporal
INFORMAÇÕES:
- Duração: 60 min
- Classificação: 12 anos
- Texto: Marcelo Aquino
- Direção de Arte, Cenário e Figurinos: Guilherme Reis
- Trilha Sonora: Juko Lessa
- Ass. Direção: Kika Werner
- Projeções: Pedro Lucas
- Produção: NOVE PRODUÇÕES